Jacarés, jibóias e preguiças são os animais mais resgatados em Manaus

Entre janeiro e maio deste ano, 493 animais já foram resgatados.
Preguiças sofreram com a derrubada das florestas no Parque 10.

Adneison Severiano Do G1 AM
Espécie recebeu cuidados médicos na reserva Sauim Castanheiras (Foto: Carlos Eduardo Matos/G1 AM)
Tamanduá-mambira após ser resgatado no Distrito Industrial II recebeu cuidadaos da equipe da Reserva Sauim-Castanheiras (Foto: Carlos Eduardo Matos/G1 AM)
Entre os meses de janeiro e maio deste ano, 493 animais foram resgatados de áreas urbanas de Manaus e encaminhados às reservas ecológicas do Amazonas. Os dados integram o levantamento do Refúgio da Vida Silvestre Sauim-Castanheiras.
As espécies mais resgatadas são jacarés, jibóias e preguiças. Especialistas avaliam que volume de casos não tem registrado crescimento em relação ao comparativo com o mesmo período dos últimos anos.
O major Diniz, comandante do Batalhão Ambiental da Polícia Militar (PM), explicou que o volume de resgate permanece dentro do volume registrado em anos anteriores, mesmo com o crescimento imobiliária em alguns pontos da cidade, que culminou na derrubada de algumas áreas de floresta.
“Na área do Parque Dez, por exemplo, o avanço das construções de imóveis comprometeu áreas de mata que eram habitat natural das preguiças. Alguns animais conseguem viver bem no meio urbano, mas outros, como é o caso da preguiça, não conseguem sobreviver onde não há mata e sem o alimento que é um tipo de broto de árvore”, esclareceu major Diniz.
O Batalhão Ambiental da Polícia Militar ressaltou que os animais em bom estado de saúde são reintroduzidos em florestas onde há condições para adaptação e sobrevivência. “Alguns animais quando estão saudáveis, não apresentam comportamento de estresse, parasitas ou machucados", afirmou o major.
Ainda segundo ele, essas reservas são monitoradas por GPS, o que possibilita a realização de um levantamento de quantas espécies povoam a área da floresta. Com isso, é possível não superlotar o ambiente e prejudicá-las devido a redução da oferta de alimentos na natureza.
Quanto aos animais em estado debilitado de saúde, as espécies são remanejadas para Refúgio da Vida Silvestre Sauim-Castanheiras, Unidade de Conservação de Proteção Integral, gerida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMMAS) e para o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Manaus.
“Recentemente encaminhamos para o Ibama, 145 quelônios para avaliação através de exames e análise do comportamento, visando detectar se os animais poderiam ser reintegrados no meio natural ou se estavam com bactérias. Além disso, se houvesse contaminação os quelônios poderiam infectar os demais animais da espécie soltos na natureza. Porém, cerca 25 morreram”, relatou Major Diniz.
O comandante do Batalhão Ambiental da PM enfatizou que, caso o cidadão se depare com um animal silvestre em perigo ou oferecendo risco à população, o procedimento correto é acionar a equipe do órgão pelo telefone 190 ou ligar para o disque-denúncia da Semmas através 0800-092-2000. “O Batalhão Ambiental tem como foco combater os maus-tratos dos animais, mas caso o animal ofereça risco como, por exemplo, um animal peçonhento, também atenderemos a solicitação”, destacou major Diniz.
Destino dos animais
O gestor do Centro de Triagem de Animais Silvestres do Refúgio Sauim-Castanheiras, Laérzio Chiezorin, esclareceu que os animais que não são reintegrados à natureza logo após o resgate, permanecendo no refúgio até que seja encontrado um local adequado.
“Antes da destinação final do animal, o Ibama realiza uma verificação rigorosa para avaliar se o cativeiro, que são zoológicos e criadores autorizados pelo órgão, possuem condições técnicas e local para manter a espécie. Em alguns casos, as consultas são feitas juntamente com Ibamas de outros estados. Só depois disso que é definido se o animal será destinado ou não para o local”, explicou o gestor.
Na avaliação do especialista, o número de casos de animais resgatados em áreas urbanas em Manaus não tem registrado crescimento em virtude do trabalho preventivo contra o desmatamento de áreas de preservação ambiental.
Animal teve pata machucada devido à força da descarga elétrica (Foto: Márcio James/Semcom)Animal teve pata machucada devido à força da descarga elétrica (Foto: Márcio James/Semcom)
Preguiça-real
No início deste ano, uma preguiça-real resgatada após ser atingida por choques do fio de alta tensão de rede elétrica, teve seu estado de saúde agravado e foi submetida a uma eutanásia.
Uma das patas dianteiras sofre necropsia e teve de ser amputada. Depois do procedimento, o animal sofreu uma infecção generalizada e a outra pata dianteira também começou a sofrer o mesmo processo. Para abreviar a dor do animal, especialistas do Centro de Triagem de Animais Silvestres do Refúgio Sauim Castanheiras realizaram a eutanásia.