Cardeal D. Eugênio Sales, arcebispo emérito do Rio, morre aos 91 anos




Foto: Antonio Gauderio/Folha Imagem
O cardeal Dom Eugênio de Araújo Sales, arcebispo emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro, morreu no final da noite desta segunda-feira (9), no Rio, aos 91 anos.
Segundo a arquidiocese, dom Eugênio morreu na residência Assunção, sua casa, no Sumaré, de causas naturais. O enterro está marcado para as 15h desta terça, na catedral da cidade. O velório será no mesmo local, mas ainda não tem hora marcada.
Dom Eugênio foi nomeado Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro pelo o Papa Paulo VI e ocupou o cargo de 27 de março de 1971 a 25 de julho de 2001.
Nascido em Acari (RN) em 8 de novembro de 1920, entrou para o seminário em 1936. Após o Curso de Humanidades, foi enviado ao Seminário Maior da Prainha em Fortaleza, onde permaneceu de 1937 a 1943.
Sua ordenação diaconal ocorreu no dia 16 de março de 1943. Na manhã do dia 21 de novembro do mesmo ano foi ordenado sacerdote por Dom Marcolino, na antiga Catedral de Nossa Senhora da Apresentação, em Natal, e celebrou a primeira missa por ocasião da festa da padroeira com a homilia proferida por Monsenhor Paulo Herôncio.
No início do seu ministério sacerdotal recebeu a nomeação para Coadjutor da Paróquia de Nova Cruz e Capelão do Colégio Nossa Senhora do Carmo. Em 1944, transferido para Natal, foi designado Capelão do Colégio Marista, Diretor Espiritual e Professor do Seminário São Pedro
Em 1954, aos 33 anos, foi nomeado bispo auxiliar de Natal pelo Papa Pio XII.
Dom Eugenio Sales é nomeado Administrador Apostólico de Natal em 6 de janeiro de 1962, função exercida até 1964. Neste ano é também nomeado Administrador Apostólico da Arquidiocese de Salvador.
No dia 29 de outubro de 1968, foi nomeado pelo Papa Paulo VI Arcebispo de Salvador.
Em 28 de março de 1969, o Papa Paulo VI comunica oficialmente a escolha de Dom Eugenio Sales para o Colégio Cardinalício.
Durante o Consistório realizado entre os dias 28 de abril e 01 de maio de 1969, é criado Cardeal.
No dia 13 de março de 1971 foi nomeado Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro pelo Papa Paulo VI.
Atuação durante o regime militar
Reportagem do site do jornal "O Globo" lembra que "em 67 anos de vida dedicada à Igreja, o cardeal foi rotulado tanto como líder conservador quanto "bispo vermelho", por ter, no início do sacerdócio, ajudado a criar os primeiros sindicatos rurais no Rio Grande do Norte. Um capítulo importante da vida de Dom Eugenio remonta à ditadura, quando atuou de maneira silenciosa, abrigando no Rio mais de quatro mil pessoas perseguidas pelos regimes militares do Cone Sul, entre 1976 e 1982, especialmente argentinos. A história da participação sem alarde do arcebispo foi contada, 30 anos depois, pelos principais meios de comunicação. Discretamente, o cardeal cultivava delicadas relações com os militares e ajudou a salvar vidas".
Segundo o texto, "para dar conta de tanto pedidos, autorizou o aluguel de quartos e depois apartamentos. A ajuda incluía dinheiro para gastos pessoais, assistência médica e auxílio jurídico".