Operação na Amazônia prende 26 pessoas e apreende 6 aviões em RR

Ação combate o garimpo ilegal de ouro na Terra Indígena Yanomami.
Armas, peças de aeronaves e R$ 200 mil em espécie foram encontrados.

Eduardo Carvalho Do Globo Natureza, em São Paulo

Operação realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal em Roraima prendeu nesta sexta-feira (13) na região de Boa Vista 26 pessoas suspeitas de participação em garimpos ilegais na Terra Indígena Yanomami, reserva ambiental que protege cerca de 20 mil índios no estado. Foram apreendidas também seis aeronaves que transportavam garimpeiros para a área de proteção.
De acordo com o superintendente da PF, Alexandre Silva Saraiva, foram expedidos 33 mandados de prisão para empresários, pilotos e proprietários de balsas que moram na região de Boa Vista, acusados de financiar e facilitar a atividade ilegal dentro da reserva. Sete pessoas ainda não foram encontradas até a tarde desta sexta-feira, mas a varredura deve permanecer ao longo do fim de semana.
Também foram expedidos 44 mandados de busca e apreensão para moradias e lojas instaladas em Boa Vista, capital do estado. Desses mandados, 11 foram destinados a apreender aeronaves utilizadas nas atividades ilegais. Até agora, seis foram encontradas em fazendas ou pistas de pouso que não estavam homologadas. Ainda segundo Saraiva, uma ordem judicial cassou a licença dos dez pilotos presos durante a operação.
Com um dos garimpeiros presos foram encontrados 6 kg de ouro, com valor estimado de R$ 613 mil. Durante a operação, os policiais apreenderam ainda R$ 200 mil em espécie, US$ 1.000 em espécie, além de dez armas, maquinário utilizado no garimpo e peças de aeronaves.
“O foco da operação é atingir o motor econômico do garimpo, a cadeia produtiva, que são os financiadores e aviões utilizados para invadir a terra indígena. A operação foi desenvolvida ao longo de um ano e contribui com outras ações para desmontar os garimpos na região”, disse Saraiva ao G1. Segundo ele, o grupo poderá ser indiciado criminalmente por formação de quadrilha, evasão de divisas e crimes ambientais.
Segundo a PF, foi decretada a prisão temporária dos suspeitos, que foram levados para a penitenciária agrícola do Monte Cristo, em Boa Vista.
Uma das aeronaves apreendidas em operação realizada nesta sexta-feira, na região de Boa Vista (RR). (Foto: Divulgação/Polícia Federal)Uma das aeronaves apreendidas em operação realizada nesta sexta-feira, na região de Boa Vista (RR). (Foto: Divulgação/Polícia Federal)
Com um dos garimpeiros presos, a PF encontrou 6 kg de ouro e dinheiro em espécie. A quantidade de ouro com o homem detido equivale a cerca de R$ 613 mil. (Foto: Divulgação/Polícia Federal)Com um dos garimpeiros presos, a PF encontrou 6 kg de ouro e dinheiro em espécie. A quantidade de ouro com o homem detido equivale a cerca de R$ 613 mil. (Foto: Divulgação/Polícia Federal)
Ouro é principal produto procurado na região
De acordo com o procurador da República Rodrigo Timóteo da Costa e Silva, atividades de garimpo são registradas há cerca de 30 anos na terras indígenas, que têm aproximadamente 96 mil km² (área equivalente a mais de quatro vezes o estado do Sergipe). Existem cerca de 20 garimpos ilegais sendo monitorados pela PF, com o objetivo de encontrar ouro.
“As lideranças Yanomamis reclamam muito dessa presença de garimpeiros, já que eles sofrem com doenças trazidas por eles e, principalmente, com conflitos étnicos e territoriais. A logística dos garimpeiros é bem complicada. É necessário transporte de avião ou de balsas para se chegar aos locais, já que é uma região de mata fechada. Existe uma grande quantidade de pistas clandestinas na região inóspita”, disse.
Imagem divulgada pela PF em Roraima mostra garimpo ilegal dentro da Terra Indígena Yanomami. (Foto: Divulgação/Polícia Federal)Imagem divulgada pela PF em Roraima mostra
garimpo ilegal dentro da Terra Indígena Yanomami.
(Foto: Divulgação/Polícia Federal)
Em maio passado, aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) destruíram uma pista clandestina de pouso e decolagem no meio da selva amazônica, a cerca de 200 km de Boa Vista.
Foram usadas quatro bombas para destruição da pista, que chegou a abrir crateras de aproximadamente 10 metros de diâmetro de largura e três metros de profundidade. O ponto exato do ataque da FAB foi identificado durante um sobrevoo feito em 11 de abril e registrado por imagens em infravermelhos.