Cientistas estudam porcos-espinho para melhorar agulhas de uso médico

Pesquisa realizada pelo MIT sugere que espinhos podem ajudar medicina.
Estrutura penetra facilmente na pele e é difícil de ser removida, diz estudo.

Do G1, em São Paulo
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Cientistas estudaram porcos-espinho americanos para entender como a estrutura de defesa natural destes animais, os espinhos, penetram na pele com facilidade e são difíceis de serem removidos.
A pesquisa, realizada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) em conjunto com a Escola Médica de Harvard, aponta que os espinhos dos animais podem ajudar a aperfeiçoar agulhas e outros instrumentos médicos, fazendo com que eles entrem mais facilmente em tecidos, sem ser necessário fazer força, e que resistam a movimentos bruscos.
Porco-espinho americano, espécie que está sendo estudada por cientistas (Foto: Divulgação/Academia de Ciências da Califórnia)Porco-espinho americano, espécie que está sendo estudada por cientistas (Foto: Divulgação/Academia de Ciências da Califórnia)
O estudo foi publicado no periódico "PNAS" nesta segunda-feira (10). Foram testados espinhos naturais e réplicas sintéticas em dezenas de tecidos e superfícies, incluindo peles de animais, para medir a resistência destas estruturas de defesa.
Os cientistas chegaram à conclusão que a geometria do espinho ajuda sua penetração e permite que ele tenha uma grande adesão, graças a "farpas" microscópicas que assumem posição invertida quando são puxadas para fora da pele.
Não apenas a disposição das "agulhas" naturais no corpo do porco-espinho reduz a força necessária para furar o tecido, mas sua "topografia" também é fundamental.
Imagem microscópica de um espinho sintético (Foto: Divulgação)Imagem microscópica de um espinho sintético (Foto: Divulgação)
O porco-espinho americano possui cerca de 30 mil espinhos espalhados no seu corpo, que são liberados em contato com predadores. As "agulhas" destes animais são duras e diferentes de outros que possuem sistema de defesa parecido, como equidnas e porcos-espinho africanos, de acordo com o estudo.
Os espinhos podem ser reproduzidos de forma sintética, no futuro, para "aplicações biomédicas, como anestesia local, drenagem de abscessos, operações cardíacas" e outras finalidades, diz a pesquisa.
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